sábado, 30 de abril de 2011

Perdendo Minha Religião


Perdendo Minha Religião

R.E.M.


A vida é maior,
é maior do que você.
e você não sou eu
até que ponto eu vou chegar,
a distância nos seus olhos,
oh não eu falei demais,
eu disse tudo


aquele sou eu num canto,
esse sou eu sob os refletores,
perdendo minha religião
tentando me igualar a você,
e eu não sei se posso fazer isso
oh não eu falei demais,
eu não falei o bastante
eu pensei ter ouvido você rindo,
eu pensei ter visto você cantar
eu pensei ter visto você tentar


cada suspiro,
de cada amanhecer eu estou,
escolhendo minhas confissões
tentando ficar de olho em você,
como um tolo cego e ferido
oh não eu falei de mais,
eu disse tudo


considere isso,
a dica do século
considere isso,
uma mágica, que me deixou de joelhos, pálido
Águas caindo,
mares revoltosos vindo
me fazer de palhaço
agora eu falei demais
eu pensei ter ouvido você rindo,
eu pensei ter visto você cantar
eu pensei ter visto você tentar


Mas isso foi só um sonho.
apenas um sonho

R.E.M. Losing My Religion

Gregorian - Nothing else matters

GREGORIAN: Amazing Grace

Stairway To Heaven (Gregorian version)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

ZÉ RAMALHO - Garoto de Aluguel HQ Optimo!!

Coração Selvagem (Belchior)



Meu bem, guarde uma frase pra mim dentro da sua canção
Esconda um beijo pra mim sob as dobras do blusão
Eu quero um gole de cerveja no seu copo no seu colo e nesse bar
Meu bem, o meu lugar é onde você quer que ele seja
Não quero o que a cabeça pensa eu quero o que a alma deseja
Arco-íris, anjo rebelde, eu quero o corpo tenho pressa de viver
Mas quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar
Que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar
Tempo para ouvir o rádio no carro
Tempo para a turma do outro bairro, ver e saber que eu te amo
Meu bem, o mundo inteiro está naquela estrada ali em frente
Tome um refrigerante, coma um cachorro-quente
Sim, já é outra viagem e o meu coração selvagem
Tem essa pressa de viver
Meu bem, mas quando a vida nos violentar
Pediremos ao bom Deus que nos ajude
Falaremos para a vida: "Vida, pisa devagar meu coração cuidado é frágil;
Meu coração é como vidro, como um beijo de novela"
Meu bem, talvez você possa compreender a minha solidão
O meu som, e a minha fúria e essa pressa de viver
E esse jeito de deixar sempre de lado a certeza
E arriscar tudo de novo com paixão
Andar caminho errado pela simples alegria de ser
Meu bem, vem viver comigo, vem correr perigo , vem morrer comigo
Talvez eu morra jovem, alguma curva no caminho, algum punhal de amor traído, completara o meu destino.
Meu bem, vem viver comigo, vem correr perigo
Vem morrer comigo, meu bem, meu bem, meu bem
Que outros cantores chamam baby

Belchior - Coração Selvagem

quarta-feira, 27 de abril de 2011

DEVANEIOS...


Sinto falta de amigos, sinto falta de amizades verdadeiras, se é que um dia tive algo que eu possa tratar assim! O interesse é sempre no que você possui, não em quem você é! Por isto é que a dor de possuir algo que seja muito precioso, é igual ao prazer de possuir tal preciosidade! Só mesmo o tempo para fazer aprender a conviver com isto... só mesmo o tempo.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Se Deus é por nós, quem será contra nós?



Chega a pobreza. É magra ossos a mostra,
Risos de pura zombaria e maldade atroz;
Que transforma em inferno o próprio paraíso!
Mas se Deus é por nós, quem será contra nós?

Chega o abandono. A vida é solidão e pó.
Só dialoga conosco a nossa própria voz,
Como é duro e penoso andar perdido e só!
Mas se Deus é por nós, quem será contra nós?

Chega a derrota. Nada que nos encoraje...
Um amigo sequer traz a sua voz.
A derrota é o abismo, o esquecimento, o trágico.
Mas se Deus é por nós, quem será contra nós?

Vem a doença. A moléstia e acabam os nossos dias...
É verdugo e carrasco executor e algoz.
Os dias nunca passam e as noites são vazias...
Mas se Deus é por nós, quem será contra nós?

Chega a morte afinal. É longa a travessia...
Irremediavelmente agora estamos sós.
Ah hora escura, ah hora longa ah hora fria...
Mas se Deus é por nós, quem será contra nós?

Giogia Jr.

sábado, 16 de abril de 2011

quarta-feira, 13 de abril de 2011

metallica nothin else matter orquesta

ROZANA BAT ZION




Rozana, Bat Zion, anja ou arcanja? Qual teu nome?
Ou talvez melhor, pra que nomes? És mulher... E anja!
Zion...  Sião. Fortaleza! És mulher, és mãe, és filha... 
Arcanja, sensualidade é teu nome, porém és muito mais!
Nunca abandona uma luta, jamais desiste de seus sonhos.
Anja forte, mulher frágil. Emocionalmente frágil. Mulher-anja!

Bat... Filha. És isto! Filha de Sião, do Altíssimo Deus, Bat Zion!
Anja_Arcanja, Rozana Bat Zion. Pra que estes nomes? és menina, coração de mulher!
Traduzir-te é impossível! Menina-anja, arcanja-mulher.

Zion...  Sião. Fortaleza! És mulher, és mãe, és filha... 
Impossível descrever tamanha sensualidade, apenas nos resta render.
Olhar-te, admirar-te, ter você. Nada mais. Ter você...
Nada mais importa. Qual teu nome? Teu nome é mulher. A mulher!


Anderson Luiz de Souza

A CRÔNICA DA MULHER-PEDRA (meu desassossego)


A CRÔNICA DA MULHER-PEDRA (meu desassossego)



            De novo e mais uma vez e de novo... Já disse que não lhe quero mais, não venha perturbar-me! Nosso caso já acabou. Voltei em busca de meus novos e velhos sonhos... Voltei para os que eu havia abandonado... Às vezes é preciso voltar para seguir adiante.
            Mas... Tenho que lhe confessar, você ainda ronda meus sonhos, não! Sonhos não. Pesadelos! Você ainda me perturba... Ainda sinto seu gosto em minha boca, sinto teu cheiro. E teu cheiro me faz suar. Eu tremo e tento... Meu coração acelera, meus olhos te procuram, me descontrolo; corro, fujo. Tudo em vão! Quanto mais corro mais a sinto presente dentro em mim. Sempre a me atormentar... Pesadelos, sonhos a me importunar. Acordo e fujo! Corro, corro e corro. E já todo molhado pelo suor e cansado, percebo que não tenho mais forças para fugir. Cansei!
            Então, trêmulo e exausto caio. Estou caindo e caindo... Rosto no chão. Não consigo mais fugir. Não posso mais. Decido me entregar de vez.
            Mas num impulso sobrenatural me ponho de joelhos, o rosto ainda molhado pelas lágrimas e sujo pela poeira do chão, levanto meus olhos para o alto e clamo por ajuda: - Meu Deus livre-me desta mulher! Ela não tem coração e nem piedade de quem seu beijo prova. Há meu Senhor livra min alma desta mulher feita de pedra. Ela é só isto, uma pedra!
            Então enquanto ainda choro e tremo sem nada poder ver, uma mão quente e macia... Uma voz sublime a me consolar. Seria mais um sonho? Não! Senti que não. Vi que não. Ele me ouviu. Deus ouviu-me! Mandou uma anja, minha anja e dois anjinhos pra me ajudar. Levanto. Ergo-me, tento me limpar, mas não tenho forças. Volto. Para prosseguir eu volto. E decido, não mais vou correr, nem fugir. Vou enfrentar a mulher-pedra. Tenho ao meu lado o Anjo do Senhor, uma anja e dois anjinhos. Não vou mais fugir de você mulher feita de pedra. Agora eu a vencerei, pois estou de volta a meu lar. Ainda que me perturbes em pesados sonhos (e sei que vai), eu me olho e olho ao meu redor, sei que não estou só (nunca estive, mas nunca os via), e digo mulher feita de pedra, nunca mais vou te beijar. Nunca mais...
            Desta vez eu sei que posso dizer que nunca mais. Nunca mais...

            Anderson Luiz de Souza

Albinoni- Adagio in G Minor

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Kashmir (tradução)



Kashmir

Oh, let the sun beat down upon my face
Stars to fill my dream
I am a traveler of both time and space
To be where I have been

To sit with elders of the gentle race
This world has seldom seen
They talk of days for which they sit and wait
When all will be revealed

Talk and song from tongues of lilting grace
Whose sounds caress my ear
But not a word I heard could I relate
The story was quite clear

Oh, oh, oh, oh

Oh, I been flying
Mama, there ain't no denying
Oh yeah, I've been flying
Mama, ain't no denying, no denying

All I see turns to brown as the sun burns the ground
And my eyes fill with sand
As I scan this wasted land trying to find
Trying to find where I've been

Oh, pilot of the storm who leaves no trace
Like thoughts inside a dream
Hid the path that led me to that place
Yellow desert stream

My Shangrila beneath the summer moon
I will return again
Sure as the dust that floats high in June
When moving through Kashmir

Oh, father of the four winds, fill my sails
Across the sea of years
With no provision but an open face
Along the straits of fear

Oh, oh, oh, oh

When I'm on
When I'm on my way, yeah
When I see
When I see the way, you stay, yeah

Oh yeah, yeah, oh yeah, yeah
When I'm down
Oh my baby, oh my baby
Let me take you there

tradução


Kashmir*

Deixe o Sol bater no meu rosto,
Estrelas preencherem meus sonhos
Sou um viajante de ambos, tempo e espaço,
Para estar onde eu estive

Para sentar com anciões da raça gentil,
Este mundo raramente viu
Eles falam sobre os dias pelos quais eles sentam
E esperam e tudo será revelado

Conversa e canção de línguas de alegre encanto,
Cujos sons acariciam meu ouvido
Mas nem uma palavra que ouvi eu poderia contar,
A história era absolutamente clara

(2x) Oh, oh

Oh, eu estive voando,
Mãezinha, não existe negação
Oh, sim, eu estive voando,
Mãezinha, não existe negação, sem negação

Tudo que vejo torna-se castanho à medida que o Sol
Queima a Terra e meus olhos enchem-se com areia,
À medida que examino esta terra devastada
Tentando descobrir, tentando descobrir onde eu estive

Oh, piloto da tempestade que não deixa rastros,
Como pensamentos dentro de um sonho
Preste atenção no caminho que me conduziu àquele lugar,
Córrego do deserto amarelo

Minha Shangri-lá sob a lua de verão,
Eu retornarei novamente
Certo como a poeira que flutua alta em junho,
Enquanto me movo através de Kashmir

Oh, pai dos quatro ventos, encha minhas velas
Através do mar dos anos
Sem nenhuma provisão exceto um rosto descoberto
Ao longo dos dilemas do medo

(2x) Oh, oh

Quando eu estiver,
Quando eu estiver no meu caminho, sim
Quando eu ver,
Quando eu ver o caminho você fica, sim

Oh, sim, sim, oh, sim, sim, quando eu estiver abatido
Oh, sim, sim, oh, sim, sim, bem, estou abatido, tão abatido
(2x)
Deixe-me te levar lá!

MADREDEUS - Haja o que houver

domingo, 10 de abril de 2011

Tiago, o primo que sempre tive sem poder ter e que hoje estará sempre presente em nossos corações.


Há consolo no luto?
Ricardo Gondim
Ao abraçá-la, senti seu corpo magro. Notei que seus olhos baços me contemplavam sem entusiasmo. Na primeira palavra, percebi a voz quebrada de uma mulher sofrida. Eu imaginava, mas não alcançava a angústia que minha amiga atravessava. Ela experimentava a hora mais dolorida e mais terrível da existência: a hora do luto.
A morte é sorrateira, insidiosa, traiçoeira. Alguns, desenganados, recebem o bilhete fatal e dispõem de tempo para arrumar a casa antes da partida. Mas para minha amiga a guilhotina desceu sem aviso. A morte não respeitou sequer possíveis imaturidades de sua alma; serpenteou, deu o bote, feriu e carregou quem escolheu. O que dizer, diante de uma mãe que chora, de uma esposa que perdeu o chão e que não sabe mais se terá forças para achar um norte?
As respostas aparentemente confortadoras se esvaziam. “Deus tem um plano”; “Ele leva para si os bons”; “Chegou a hora”. Tais frases, funcionam como aspirina que alivia sem curar o problema. Em um esforço medonho de não parecer professoral, procurei oferecer-lhe outro modelo de como perceber os atos misteriosos de Deus. Mas logo notei que meu esforço era inútil. Minha amiga esperneava dentro da cerca teológica que fora educada. “Deus governa e como um dramaturgo celestial, conduz o desenrolar de nossas vidas. Deus não permite que nada aconteça sem que esteja previsto em seu roteiro”.
Silenciei, abraçado. Depois, voltei ao hotel e chorei. Por horas não consegui apagar o sofrimento daquela mãe. Além de ter que aprender a repetir a litania fúnebre do “nunca mais”, ela terá de brigar com o seu Deus. Que tristeza! Deitado, insone, escutei sua indignação lacerante: “Por que Deus é tão obscuro em seus planos? Por que, tão indiferente? Vou ter que esperar quanto tempo até entender seus motivos para levar (“levar” não passa de um pobre eufemismo para “matar”) um pai precioso, um amigo querido, um filho especial?”. Debulhei-me em lágrimas.
A morte baterá em outras portas e continuará a subtrair vidas. Não distinguirá justos de injustos. Traficantes viverão mais que mulheres bondosas. Pais enterrarão seus filhos, quando o certo deveria ser o contrário. Acidentes eliminarão de uma só tacada, jovens e idosos. Os amigos de Jó erraram nas conjecturas sobre o sofrimento universal. O justo Jó via-se arrasado por todo tipo de infortúnio, mas eles continuavam sem a menor idéia dos porquês. Não, não me arvoro a decifrar o enigma dos enigmas.
Contudo, prefiro a revelação bíblica de um Deus que não é um títere a puxar cordões de marionetes. Chamo-o de Emanuel: O Deus presente em nós. Jesus encarnou e viveu a sua humanidade até as últimas consequências. Semelhantes a ele, no espaço de nossa liberdade, também estamos cercados de perigos, e sempre à beira do derradeiro suspiro. Deus não arbitra quem morre e quem vive segundo critérios inacessíveis, mas se compromete a revelar seu amor quando o soluço da perda for asfixiante. Deus se mostra em cada abraço, em cada palavra de solidariedade e em cada gesto de lealdade. “A nossa dor dói em Deus”, disse Isaías. Sim, Deus é cheio de compaixão - Segundo as duas raízes de "com-paixão", Deus “sofre junto”.
Nada sei e nada posso especular sobre a morte, mas minha intuição avisa que reconhecer a companhia fiel de Deus traz mais conforto do que ficar questionando o porquê.
Soli Deo Gloria
Dedico esta reflexão ao meu amado Tio Saulo e sua família que tão subitamente tiveram tirados de suas vidas ( e de forma tão trágica) o nosso eterno Tiago. É sempre difícil aceitar e ter que conviver com esta dor; uma ferida que jamais cicatriza, mas que nos força a conviver com ela. Deus não nos prepara para esta dor! Apenas nos dá forças e nos consola (se a Ele nos entregar-mos), mas Deus não nos prepara.  Ele nos ensina a superar e vencer; Ele (Deus) que se fez homem e suportou todas as dores, nossas dores, nossas maldições e nosso castigo. Foi por você... pelo Tiago e por toda a humanidade. Nossa dor dói em Deus! " E se Deus é por nós, quem será contra nós? " Eu e minha família somos co-participantes de sua dor. Tiago... o primo que sempre tive sem ter; Um ato de insana crueldade nos privou de uma bela e singular convivência. Quando finalmente nos temos, nos conhecemos e ao amor de primos nos entregamos Deus em sua eterna Sabedoria e Amor, decidiu (antes que qualquer um de nossos dias existisse) que o Tiago estaria sempre jovem e eternamente presente em nossas lembranças e em nossos corações.
Anderson Luiz de Souza

Led Zeppelin-kashmir...the real video

Quem disse que uma evangélico não pode gostar de rock? sou um fã! e penso que são muito melhores que muitas das ditas "música gospel" com seus intermináveis mantras.

AC DC Thunderstruck

Deep Purple - Smoke On The Water

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O rosto de Deus

O rosto de Deus


Ricardo Gondim





Rafael, Michelangelo e vários outros pintores tentaram retratar o rosto de Deus. Foram infelizes. Como mostrar na tela quem nunca foi visto? Com a proximidade do Natal, mais artistas procuram esboçar o que imaginam ser o rosto de Deus.



Ele se parece com uma criança? É o frágil bebê das manjedouras? Talvez; o reino do céu pertence aos pequeninos, aos que mamam. Ao tentar desenhar o mistério, o artista termina com um ídolo.



O rosto de Deus, entretanto, pode ser experimentado nos sem-teto que perambulam pelas ruas e dormem nos viadutos das grandes cidades. Quando Jesus nasceu, a família estava sem moradia certa, não possuía recursos para pagar uma hospedaria e viu-se obrigada a refugiar-se em um estábulo.



O rosto de Deus pode ser percebido em vítimas de preconceito e em injustiçados. Sobre o menino que nasceu em Belém pairou uma dúvida: ele era de fato filho de José? O casal não inventara aquela história toda para se safar de um rolo?



O rosto de Deus se revela nos desprezíveis, nos que foram condenados à margem da história. Quando o menino nasceu, ninguém notou ou escutou o alarido dos anjos. A trombeta que anunciou paz na terra pela boa vontade de Deus passou desapercebida da grande maioria. Apenas um punhado de pastores foi sensível para presenciar o momento mais importante da história.



Qual o rosto de Deus? Ele não se parece com os cartões postais ou com o menino de barro das lapinhas. Deus é igualzinho a Jesus. E Jesus é bem parecido com o vizinho do lado, com a mulher que pede socorro na delegacia do bairro e com a família que chora a morte do filho no corredor do ambulatório.



Não é preciso muito para encontrar Deus, basta um coração de carne, humano.



Soli Deo Gloria

terça-feira, 5 de abril de 2011

Deus nos livre de um Brasil evangélico!

Deus nos livre de um Brasil evangélico
Ricardo Gondim


Começo este texto com uns 15 anos de atraso. Eu explico. Nos tempos em que outdoors eram permitidos em São Paulo, alguém pagou uma fortuna para espalhar vários deles, em avenidas, com a mensagem: “São Paulo é do Senhor Jesus. Povo de Deus, declare isso”.
Rumino o recado desde então. Represei qualquer reação, mas hoje, por algum motivo, abriu-se uma fresta em uma comporta de minha alma. Preciso escrever sobre o meu pavor de ver o Brasil tornar-se evangélico. A mensagem subliminar da grande placa, para quem conhece a cultura do movimento, era de que os evangélicos sonham com o dia quando a cidade, o estado, o país se converterem em massa e a terra dos tupiniquins virar num país legitimamente evangélico.
Quando afirmo que o sonho é que impere o movimento evangélico, não me refiro ao cristianismo, mas a esse subgrupo do cristianismo e do protestantismo conhecido como Movimento Evangélico. E a esse movimento não interessa que haja um veloz crescimento entre católicos ou que ortodoxos se alastrem. Para “ser do Senhor Jesus”, o Brasil tem que virar "crente", com a cara dos evangélicos. (acabo de bater três vezes na madeira).
Avanços numéricos de evangélicos em algumas áreas já dão uma boa ideia de como seria desastroso se acontecesse essa tal levedação radical do Brasil.
Imagino uma Genebra brasileira e tremo. Sei de grupos que anseiam por um puritanismo moreno. Mas, como os novos puritanos tratariam Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Maria Gadu? Não gosto de pensar no destino de poesias sensuais como “Carinhoso” do Pixinguinha ou “Tatuagem” do Chico. Será que prevaleceriam as paupérrimas poesias do cancioneiro gospel? As rádios tocariam sem parar “Vou buscar o que é meu”, “Rompendo em Fé”?
Uma história minimamente parecida com a dos puritanos provocaria, estou certo, um cerco aos boêmios. Novos Torquemadas seriam implacáveis e perderíamos todo o acervo do Vinicius de Moraes. Quem, entre puritanos, carimbaria a poesia de um ateu como Carlos Drummond de Andrade?
Como ficaria a Universidade em um Brasil dominado por evangélicos? Os chanceleres denominacionais cresceriam, como verdadeiros fiscais, para que se desqualificasse o alucinado Charles Darwin. Facilmente se restabeleceria o criacionismo como disciplina obrigatória em faculdades de medicina, biologia, veterinária. Nietzsche jazeria na categoria dos hereges loucos e Derridá nunca teria uma tradução para o português.
Mozart, Gauguin, Michelangelo, Picasso? No máximo, pesquisados como desajustados para ganharem o rótulo de loucos, pederastas, hereges.
Um Brasil evangélico não teria folclore. Acabaria o Bumba-meu-boi, o Frevo, o Vatapá. As churrascarias não seriam barulhentas. O futebol morreria. Todos seriam proibidos de ir ao estádio ou de ligar a televisão no domingo. E o racha, a famosa pelada, de várzea aconteceria quando?
Um Brasil evangélico significaria que o fisiologismo político prevaleceu; basta uma espiada no histórico de Suas Excelências nas Câmaras, Assembleias e Gabinetes para saber que isso aconteceria.
Um Brasil evangélico significaria o triunfo do “american way of life”, já que muito do que se entende por espiritualidade e moralidade não passa de cópia malfeita da cultura do Norte. Um Brasil evangélico acirraria o preconceito contra a Igreja Católica e viria a criar uma elite religiosa, os ungidos, mais perversa que a dos aiatolás iranianos.
Cada vez que um evangélico critica a Rede Globo eu me flagro a perguntar: Como seria uma emissora liderada por eles? Adianto a resposta: insípida, brega, chata, horrorosa, irritante.
Prefiro, sem pestanejar, textos do Gabriel Garcia Márquez, do Mia Couto, do Victor Hugo, do Fernando Moraes, do João Ubaldo Ribeiro, do Jorge Amado a qualquer livro da série “Deixados para Trás” ou do Max Lucado.
Toda a teocracia se tornará totalitária, toda a tentativa de homogeneizar a cultura, obscurantista e todo o esforço de higienizar os costumes, moralista.
O projeto cristão visa preparar para a vida. Cristo não pretendeu anular os costumes dos povos não-judeus. Daí ele dizer que a fé de um centurião adorador de ídolos era singular; e entre seus criteriosos pares ninguém tinha uma espiritualidade digna de elogio como aquele soldado que cuidou do escravo.
Levar a boa notícia não significa exportar uma cultura, criar um dialeto, forçar uma ética. Evangelizar é anunciar que todos podem continuar a costurar, compor, escrever, brincar, encenar, praticar a justiça e criar meios de solidariedade; Deus não é rival da liberdade humana, mas seu maior incentivador.
Portanto, Deus nos livre de um Brasil evangélico.

Soli Deo Gloria

segunda-feira, 4 de abril de 2011

VALORES, MOMENTOS, PESSOAS...

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.




Fernando Pessoa

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