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terça-feira, 26 de março de 2013

Com a insônia e a noite (um ménage)





Noite insólita, nem quente nem fria...
E a fumaça de meu cigarro traz-me ela,
A insônia... a cada trago sinto seu beijo
A cada beijo sou tragado...
Convidas-me para contigo dançar?
Eu vou, e juntos, dançamos e
Fumamos e bebemos e brindamos!
E a noite sem lua, sem brilho, sem chuva,
Consagra-me teu manto para que com ele,
Eu possa , em véu, roçar tua nudez.
No manto que te vela, meu ósculo;
E a nudez que a mim revelas, eu toco;
E a noite que nos cobre com manto, oro.
Sobra o copo quase vazio,
As cinzas em uma, no borralho.
E antes de ir-me, mas dois tragos,
Mas dois goles, para mim e para ti e,
À noite, boa noite!
Foi boa a noite...

Anderson L. de Souza

sábado, 23 de março de 2013

Entrega...




Entrega...

Eu vou, vou em busca da vida.
A vida que, de tão incerta é a certa.
Não busco sonhos nem ilusões...
Envolto em lúgubre redescoberta

Eu vou, sim, não há retrocesso.
Apenas entrega...
E nesta busca por viver vou eu
A cada dia me entregar mais e mais

Mesmo que lutuoso caminhe,
Eu vou, sim, ainda que lôbrego,
Em suas mãos me lanço,
Vou e não volto, me entrego...

Eu vou! Eu estou... Sou.

Anderson L. Souza

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

De nosso caso, um poema (meu adultério)




As vezes me sinto poeta,
certas horas me faço poeta,
outras vezes me desnudo inteiro.

Deixo minhas lágrimas escorrem pela pena
A gotejarem letras no papel.
Mas não são lágrimas, é meu deleite...

Meu deleite, teu deleite
Nosso caso impossível,
só possível com a pena e o papel...

Nosso caso, nosso abraço, nosso amor,
impossível, no possível, é real.
Surreal? Meu deleite...

És meu caso, te abraço, me arranhas,
Nosso coito, em meu gozo eu me escorro
Me esbaldo e eu grito e te explodo

Em meu grito, tu pereces
E em teu sangue com meu sêmen
Fica as manchas a escorrerem no papel.

Nasce o verso, entre tinta, sangue e sêmen.
Nasce a estrofe, entre grito, gozo e morte.
Nasce o poema, entre alma, tinta e papel.

Anderson L. de Souza


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Salve, um salve aos loucos!



Por Octavio Milliet,

 

 


Creio que um dia sou,
Mais que reste,
Que de mim sobrou?

Tais são as verdades dignas do ser,
Quem poderia falar,
Oras, não somos seres estupendamente sinceros?
Quem sabe nem mesmo somos concretos!

Defendo a vida, o amor, a paz,
não tire liberdade nunca mais!

Busco de ti o que buscares de mim,
Serei alegre, mesmo só,
Terei, porém prazer em levar junto, ir junto!
Cante comigo então:

Vida e união!
Coro de bilhão,
Somos todos alegres e fortes,
Somos mais que multidão,
Vejam, vide bela, senhoras e senhores,
Para o que vier,
O que já foi, o que der,
Defendo ética, não tão eclética...

E defendido por todos os louvores,
Compartilho da vida os sabores,
Partido por falsos amores, mas não!
Falsos amores que não mais são,
Reais e verdades trarão:
Experiências honestas.

Nada fica que não nos dê o que pensar:
Nada é apenas um falar.
Nada existe sem ser alguma coisa,
E nada deixa de ser qualquer coisa.

Então de beleza estaremos juntos,
Da mesa o pão dado a todos
Dá à mesma força dos loucos:
Estes que não dizem "não",
É deles que vieram os socorros.

Salve, um salve aos loucos!

Octavio Pinheiro Machado Milliet

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

JAQUELINE BELA




JAQUELINE BELA

http://images.sargentoanderson.multiply.com/image/l1sCqq3hMk30ByltdEto8A/photos/1M/300x300/5542/OQAAAKdr5HV-k12RH7eh9Yng6YbzNhUwkOTl65XFvPQnEXLVYvZap-XBgxjq4nnVcC0-IeBWhnbwzoaxCJMddgxuGSwAm1T1UDKN?et=ZisXqzhO7c0L5vSf5H9XTQ&nmid=0
Jasmins, rosas e crisântemos, todas as flores enfim...
Aurora boreal simplesmente ímpar em sua beleza...
Querendo apenas imitar com maestria sua a você, mas sem êxito... Enfim...
Uma incomparável beleza com sua pequena Júlia no ventre.
Embriagante beleza... Pequena... És bela com seu ventre...  Sua Julia.
Lua cheia é seu sorriso, sensual e doce, explosiva mistura!
Incomparável ser que gera outro ser... Menina linda virou mulher.
Nos teus olhos ainda vejo a pequena daquelas fotos... Mas
Ela cresceu... Virou mulher! E o que posso de ti dizer?

Beleza ímpar de mulher, corpo de mulher, jeito de menina.
Enfim o que posso de ti dizer? Menina que virou mulher?
Lamento... Mas não sei expressar tal beleza...
Aurora boreal, rosas, crisântemos e jasmins.

Anderson Luiz de Souza
  
Em homenagem a minha cunhada, irmã caçula de minha esposa anja, uma querubim.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Vanitas, Vanitatis!



Por Matheus De Cesaro

“Onde é que eu não entro? Onde é que eu não mando alguma coisa? Vou do salão do rico ao albergue do pobre, do palácio ao cortiço, da seda fina e roçagante ao algodão escasso e grosseiro.”

Machado de Assis “Elogio a Vaidade”


Ao dissertar  sobre vaidade, talvez a primeira lembrança que nossa mente nos traga, é que , vaidade é só vaidade”. Assim  já dizia o sábio Rei de Israel ao qual se chamava Salomão e nos conta a história bíblica cristã e a história judaica, que teria sido este homem um dos mais sábios de toda a humanidade. Um homem, rico, inteligente, com poder e supostamente castigado pela sua vaidade. Um homem que definiu em seus textos serem todas as atitudes vaidosas, vãs e fúteis, revelando-se no desejo de aparecer, de brilhar, de atrair a atenção dos outros, uma presunção ridícula e medíocre, um ato de vangloriar-se e ostentar uma posição, apresentar-se de forma grandiosa aproveitando-se do conhecimento, do poder sobre os mais fracos e dos menos favorecidos, enfim, tudo que pudesse o colocar em um nível aparentemente acima do que realmente e de fato fosse, dizia Salomão ser vaidade.

“Vaidade de Vaidades! Diz o Pregador, vaidade de vaidades! É tudo vaidade”, “Avel Avalim! Amar Koelet, avel avalim! Col avel”, “Vanitas, vanitatis! Vanitas, Vanitatis! Et omnia vaitas” (Eclesiastes 1:2)

Quando fala-se em vaidade no sentido de como ela se manifesta no ser humano, alguns se escondem e fogem deste assunto, talvez por temor de terem que enfrentar a si mesmos, e depararem-se com os seus próprios “monstros internos”. Uma realidade que surge por meio do que Freud denominou de “sono do mundo”. Mas, ainda há alguns que buscam incessantemente atrapalhar este sono. Por isso nos dedicamos em lutar por essa compreensão de nós mesmos, seja na leitura, na escrita, no debate, nas divergências e nas concordâncias, enfim, vivemos em uma constante busca pelo entendimento dessa complexidade que forma nossas vidas.

Em contra partida, há outros que não fogem a esta realidade, porém se manifestam trazendo as mais variadas e bem estruturadas interpretações para definir e formar o conceito, parecendo até terem em mãos a fórmula secreta para vencerem esta paixão, mesmo sendo muitas destas dissertações vazias e superficiais se comparadas ao que realmente queremos compreender e investigar. O que hoje se tornou  muito comum, se tratando de qualquer assunto em que nos disponibilizarmos a dissertar. Ninguém mais fica para trás em uma discussão, basta ter acesso a internet, uma teclada ou outra em um computador ou até mesmo em um celular, e “bummm” bem ao estilo “Big Bang”, temos uma explosão de Phd’s em qualquer assunto que esteja em voga, basta o camarada entrar na “wikpédia” e terá condições de elaborar uma opinião convincente e bem estruturada sobre o termo discutido, para exatamente demonstrar sua vaidade no que faz alusão ao ato de conhecer o assunto em questão. E desta forma não passar a vergonha de assumir que de fato não compreende o que esta a dissertar. E segundo este tão “sábio e influente site”, podemos definir a vaidade da seguinte forma: 

“A vaidade (chamada também de orgulho ou soberba) é o desejo de atrair a admiração das outras pessoas. Uma pessoa vaidosa cria uma imagem pessoal para transmitir aos outros, com o objetivo de ser admirada.”

Não que este sentimento e busca de atrair atenção não venha mesmo revelar a vaidade, mas tal revelação é superficial e rasa, sendo que quando conjecturamos e supomos acerca da vaidade, podemos ir mais longe, podemos invadir e destrinchar com mais ênfase nossa própria natureza humana, tendo ciência de que tal paixão compõe nossa natureza. Em resposta ao que a “Wikipédia” define e aponta como vaidade, eu me recordo de um fragmento escrito por C S Lewis que diz,

"O prazer em ser elogiado não é orgulho ou vaidade. A criança a quem se da uma palmadinha nas costas por fazer bem uma lição, a mulher cuja beleza é louvada por quem lhe ama, a alma remida a quem Cristo diz, "procedeste bem", ficam satisfeitas e são desejáveis. Porque, aqui, o prazer assenta não no que somos, mas no fato de termos agradado alguém a quem queríamos precisamente agradar. O problema começa quando deixamos de pensar, "ele gosta de mim, que ótimo", para pensar, "que sujeito formidável eu sou, para ter feito isso". Quanto mais nos deleitamos conosco mesmos, e menos nos deleitamos com o elogio, piores nos estamos tornando... Se alguém deseja adquirir humildade, o primeiro passo é compreender que se é orgulhoso e vaidoso por natureza. Nada mais pode ser feito antes disso. E quando alguém pensa que não é orgulhoso, significa que ele é, na verdade, extremamente orgulhoso e esta impregnado pela vaidade. Não imaginem que se encontrarem um homem realmente humilde ele será o que a maioria das pessoas chamam "humilde", hoje em dia... Provavelmente só pensaremos que ele parece um indivíduo inteligente e bem disposto, e que tem um verdadeiro interesse pelo que nós dizemos a ele... Ele não estará pensando em humildade, ele não estará de modo algum pensando em si próprio!"

Logo, se percebe que a definição “wikpediana”, de fato é muito rasa e superficial, quando nos dispomos a buscar a compreensão desta complexa paixão.

E para expor e enfrentar um pouco de minha eterna companheira vaidade, é que decidi aqui dissertar um pouco sobre ela, hora amiga e companheira, hora vilã e traiçoeira, hora manifestando-se de forma visível, hora se ocultando, se escondendo e se mascarando na forma do bem, ou até mesmo do mal. Como diria Mathias Aires em Reflexões sobre a Vaidade,

“Vivemos com vaidade e com vaidade morremos; arrancando os últimos suspiros, estamos dispondo a nossa pompa fúnebre... No silêncio de uma urna depositam os homens a sua memória para com a fé dos mármores fazerem seus nomes imortais... A vaidade até se estende a enriquecer de adornos o mesmo pobre horror da sepultura... Queremos que cada um de nós se entregue a terra com solenidade, e fausto, outra infeliz porção de terra: tributo inexorável!”

Não há como ignorar que diariamente esta paixão nos acompanhe, em discursos, atos, buscas, representações, enfim, em tudo o que somos sempre há um pitada desta tão assustadora paixão, a qual poderíamos afirmar talvez ser a mais sagaz e ardilosa paixão, não a toa que Mathias Aires ao falar sobre ela, dizia,

“De todas as paixões , a que mais se esconde é a vaidade, e se esconde de tal forma , que a si mesma, oculta, e ignora.”

O que mais me chama a atenção na verdade, não são aqueles que possuem a capacidade de em meio a facilidade digital elaborar conceitos e estruturar sistemas prontos para elucidar tal ato, e sim os que fogem do assunto por medo de se depararem consigo mesmos nas mais simples circunstâncias do cotidiano em que se esta inserido. Pois ao se escrever se esconde o desejo do reconhecimento em ser lido, ao fazer o bem se esconde o desejo de ser conhecido pelos seus atos, até mesmo no medo da morte escondemos o temor de não sermos lembrados e assim não sermos reconhecidos pelas nossas memórias.

Nestas situações é que percebo  a existência de dois grupos distintos, o primeiro composto por aqueles que reconhecem e temem a convivência com a vaidade,  a tratam como a grande inimiga na edificação e no  desenvolvimento de suas estruturas espirituais, materiais e sociais, estando sempre em combate, lutando contra uma paixão que na maioria das vezes é incompreendida e tratada como um mal absoluto, e irreparável, algo em suma, nocivo, prejudicial e que deve ser aniquilado custe o que custar. Estes não percebem que na vaidade também há o bem, e também há virtude na mesma proporção em que há este suposto mal tão temido. Desconsideram o dualismo que repousa sobre a paixão da vaidade “bem e mal”, trazendo sobre a mesma um determinismo negativo, que no fim não passa da mais concreta característica da vaidade, que se mostra exatamente na necessidade de tornar a paixão má em defesa de uma postura boa e livre da vaidade.

No segundo grupo estão aqueles que dizem conhecer a vaidade e não a possuir, aqueles que dizem estar preparados e prontos para viverem em si, a mais sublime forma de humildade, o que ao meu ver, é a mais autêntica forma de vaidade que podemos encontrar, o que popularmente chamamos de falsa modéstia.  A respeito destes Machado de Assis ao finalizar sua obra “Elogio da Vaidade” diz,

“Um levanta os ombros; outro ri de escárnio. Vejo ali um rapaz a fazer-me figas: outro abana tristemente a cabeça; e todas, todas as pálpebras parecem baixar, movidas por um sentimento único. Percebo, percebo! Tendes a volúpia suprema da vaidade, que é a vaidade da modéstia.”

Fica muito claro que falar sobre vaidade exprime uma complexidade sem tamanho, nos aponta caminhos diversos, e conjecturas das mais variadas formas. Eu mesmo a tenho como parte inerente de minha pobre e mortal natureza humana, uma eterna companheira que do berço ao túmulo terei que conviver. Não há como aniquilar a vaidade, sem que eu próprio seja aniquilado, não há como descartar a vaidade como se ela própria fosse um sentimento ou comportamento individual. Estamos a mercê de uma paixão que nos alimenta e nos deixa com fome, que nos coloca em um patamar de destaque e que em um piscar de olhos nos leva a mais angustiante ruína.          

Deveríamos entrar com todas as nossas forças em uma queda de braços deveras inútil?

Ou o conhecimento, e o aprender como conviver, seria a atitude mais plausível?

Seria sensato explorar a vaidade no âmbito das virtudes que nela possam existir,  tendo o cuidado de não expor de forma hostil nossa eterna companheira?

Ou seria ainda, a vaidade simplesmente uma criação da psique humana, para então justificar o medo de assumir nossos próprios pensamentos, e nossas posições contrárias ao proposto?

“Digo a todos, porque a todos cobiço, ou sejais formosos como Páris, ou feios como Tersites, gordos como Pança, magros como Quixote, varões e mulheres, grandes e pequenos, verdes e maduros, todos os que compondes este mundo, e haveis de compor o outro; a todos falo, como a galinha fala aos seus pintinhos, quando os convoca à refeição, a saber, com interesse, com graça, com amor. Porque nenhum, ou raro, poderá afirmar que eu o não tenha alçado ou consolado.” (Machado de Assis, Elogio da Vaidade

Publicado originalmente no blog http://logosemithos.blogspot.com.br/2012/11/vanitas-vanitatis.html

Blog do autor: http://filoboteco.blogspot.com.br/


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Nota Zero em "Ética Cristã" para o Jesus dos Evangelhos



Por  Levi B. Santos

1.  Muito embora Jesus tenha denominado o Rei Herodes de “raposa” ─, não convém ao crente assim proceder. Devemos dispensar o melhor tratamento às autoridades, mesmo que elas tenham, às vezes, condutas irregulares e hipócritas. Está escrito: “Toda autoridade provém de Deus”.

2 . Muito embora Jesus tenha cognominado de “sepulcros caiados”, os homens da Lei que estavam sentados na cadeira de Moisés ─, não é conveniente ao cristão assim o fazer. A boa ética manda que o crente tenha sabedoria e controle emocional, a fim de que não caia na tentação de detratar as pessoas.


3 . Muito embora Jesus não tenha encontrado onde repousar a cabeça ─, não é conveniente ao crente está falando mal das autoridades religiosas que enriqueceram graças aos seus extraordinários dons. As mansões, os carrões, as chácaras e o mar de riquezas que essas autoridades possuem, foram frutos do seu honesto trabalho. Está escrito: “Todo obreiro é digno do seu salário”.


4. Muito embora Jesus em sua missão tenha ido buscar pessoas para serem discipuladas, “extra-muros” do Templo ─, não é de boa norma, o crente organizar grupos para o ensino da palavra por aí afora. O Templo é o único local adequado para esse fim. Está escrito: “Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor”.


5 . Muito embora Jesus tenha entrado no templo, armado de chicote para expulsar os poderosos que faziam da Casa de Deus uma “bolsa de valores” ─ não é conveniente ao crente de forma desastrada, assim se comportar. Está escrito: “Não é por força nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor”.


6 . Muito embora Jesus tenha reprovado os religiosos de sua época, por adorarem os primeiros lugares no templo ─, não é ético para o cristão assim proceder. Em todas as igrejas, é de praxe, que os primeiros assentos sejam destinados às autoridades eclesiásticas. Está escrito: “A quem honra, honra”.


7 . Muito embora Jesus não tenha tomado uma atitude enérgica, quando os discípulos seus, invadiram um roçado de milho alheio, para saciar a fome num dia consagrado ao descanso ─, não convém ao crente assim proceder. Mesmo estando faminto, não ouse tirar nada de alguém, sem plena autorização. Está escrito: “Pedi e dar-se-vos-á”. Portanto, basta dobrar os seus joelhos e orar.


8 . Muito embora Jesus não tenha respondido a pergunta de Pilatos, sobre “o que era a verdade” ─, não convém ao crente, deselegantemente, silenciar diante da pergunta feita por uma autoridade. Peça a Deus sabedoria e Ele porá a palavra certa em sua boca. Está escrito: “Se estes se calarem, até as pedras clamarão”.


9 . Muito embora Jesus tenha dito de forma pública, que os escribas e fariseus, apesar de serem dizimistas, negligenciavam o mais importante, como a justiça, a misericórdia e a fé ─, é atitude reprovável e contrária à ética, o cristão expor aos quatro cantos do mundo uma simples falta (perdoável) dos seus superiores, ainda mais, se eles estiverem sentados na cadeira de Moisés. Está escrito: “E o oferecerá com a oferta sobre o altar, e assim o sacerdote fará expiação por ele, e será limpo”.


10. Muito embora Jesus tenha se posicionado contra os fariseus que enfrentavam todo tipo de obstáculos para ganhar almas, ocasião em que os denominou de duas vezes filhos do inferno ─, não é de bom alvitre o crente tomar tão irredutível atitude. Está escrito: “Mas que importa? Contanto que Cristo de qualquer modo, seja anunciado, ou por pretexto, ou por verdade... .” (Filipenses 1: 18).



P.S.: Este Manual de Ética foi postado originariamente no "Ensaios & Prosas" em março de 2009 com o título  - "Dez Conselhos Legalistas Sobre Ética Cristã".

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Assim Na Terra Como No “Céu”



Por Levi B. Santos

Quis o destino que o patriarca e a matriarca da grande família partissem juntos dessa, para outra. Os amigos e os familiares do casal de velhos, depois de muitos entreveros, concordaram em fazer cerimônias fúnebres distintas, obedecendo aos ritos religiosos de cada um deles. É que o senhor Celestino de Jesus era um renhido protestante seguidor doFilho de Maria, e a senhora, Maria Anunciada da Conceição, uma católica devota deNossa Senhora.

A um simples olhar, denota-se que a ancestralidade cultural dos pais dos defuntos está bem presente nos nomes que eles deram aos seus filhos, nascidos quase que na mesma época (1924 e 1926).


O gerente da maior empresa funerária da cidade, como sempre costumava fazer, perguntou ao familiar (contratante do enterro), qual era a religião que o casal professava, para preparar o ambiente de acordo com as tradições e rituais próprios dos falecidos. Ficou pasmo e quase sem fala, quando ouviu que deveria preparar dois velórios: um para o católico e outro para a protestante, em um só salão, ainda mais com a alegação extravagante de que as cerimônias seriam simultâneas, pois os velhos, nunca tinham deixado de viver juntos, se separando apenas nas ocasiões dos seus obsessivos cultos religiosos.

Depois de pedir um tempo para pensar, o vendedor de enterros chegou finalmente a uma genial solução: cobraria um preço mais alto e inovaria a indumentária de sua funerária, ao adquirir um biombo (espécie de cortinado retrátil de PVC na cor dourada) para separar os dois ambientes “pré-celestiais”, tudo em conformidade com os ricos castiçais e candelabros banhados a ouro de sua empresa.

Todos nós sabemos que um fato inusitado como esse, chega rapidamente aos ouvidos da população. E foi justamente o que aconteceu. 

prefeito da cidade, eleito pelas duas maiores comunidades religiosas rivais, temendo grande tumulto por ocasião da dupla cerimônia fúnebre agendou uma reunião de urgência com sua equipe multi-denominacional de fiéis. Chegaram então a um consenso, afinal: nas cerimônias simultâneas nem o padre rezaria “Santa Maria, rogai por nós”, nem o pastor falaria que “só Jesus é o único intercessor entre Deus e os homens”. Ficou acertado, também, que uma história bíblica não poderia, em nenhuma hipótese, ser ventilada na dupla encomendação dos mortos: a parábola que mostra o pobre mendigo, Lázaro, sendo recebido no céu e um rico avarento nas chamas do inferno, gritando para que lhe molhem a língua. Ainda, duas passagens da Bíblia não poderiam ser tocadas: O pastor estaria proibido de ler uma parte que seus fiéis adoram muito ― àquela que os evangelistas atribuem a Jesus −, numa ocasião em que estava sendo importunado por sua mãe, quando assim falou veementemente: “Mulher, que tenho eu contigo?!”. O padre, por sua vez, estaria terminantemente proibido de citar a parte inicial do “Magnificat”“Bendita és tu entre as mulheres”.

Quanto ao uso dos símbolos religiosos não houve questionamentos: o defunto protestante portaria a Bíblia sobre o pedestal funerário atrás do seu caixão, e a católica morta exibiria o Cristo crucificado num altar acima de sua cabeça. De maneira nenhuma seria permitido a cruzada, isto é, a passagem dos adeptos da Mãe de Deus  para o outro lado da cortina, reservada aos fieis do Filho de Deus, e vice-versa.

terça-feira, 24 de julho de 2012

"No princípio era Deus."






E Deus separou dos céus as águas,

para que pudesse ver a si mesmo no Espelho das águas.

E pairando sobre as águas,

Deus iluminou a Escuridão das águas.

E fez-se a Luz e fugindo a Escuridão

para as profundezas das águas e para as alturas dos céus,

Deus olhou para a perfeição de seu Reflexo.

E o Reflexo olhou para Deus.

E Deus já não soube se era o Reflexo olhando para si mesmo nos céus,

e O Reflexo não soube se era Deus olhando para si mesmo nas águas.

E Deus gritou de horror.

E o Reflexo gritou de horror.

E o Verbo de Deus partiu o Espelho em mil pedaços.

E o Verbo do Reflexo partiu Deus em mil pedaços.

E ao pó do Espelho deu-se o nome de Mundo e de Abismo.

E ao pó de Deus deu-se o nome de Homem e de Alma.

Leonardo Levi

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O que um ateu pensa da morte



Por  Marcio Alves

Já escrevi alguns textos sobre a morte, dentre eles talvez o mais importante seja mesmo o profundo e filosófico “A morte em dois momentos”, mas sabendo que constantemente estamos sempre mudando e consequentemente atualizando nossa maneira de ver e viver a vida, resolvi então escrever o que penso hoje sobre a morte.

Um texto simples, sincero e objetivo sem o rigor do academicismo que muitas vezes atrapalha mais do que ajuda na compreensão dos leitores.

A morte, assim como o nascimento, são as duas únicas coisas que temos que passar sozinhos, embora muito mais a morte seja mesmo o momento mais angustiante e dramático de toda nossa existência, não o depois, mas aqueles momentos que a antecedem, que eu chamo de “pré-morte”, que é aquelas experiências de quase morte que muitos de nós experimentamos em algum momento de nossas vidas.

Nada mais profundo do que a experiência de ir ao velório de um amigo ou parente nosso, pois só nesses momentos, da “pré-morte” e da “morte do outro” é que são capazes de tirar o ser humano de sua anestesia diária, como trabalho, diversão, lazer, hobby e etc, levando a refletir seriamente sobre a sua própria morte.

Pois saiba meu amigo leitor, que uma coisa é você ler alguns livros e pensar sobre a morte de maneira geral, outra completamente diferente é pensar a sua própria morte. É como você ler sobre pessoas com câncer, e, um belo dia você ir ao medico para fazer exames de rotinas e sem “querer” descobrir que esta com um câncer. Consegue agora perceber a diferença?

Para aqueles que nunca enterraram seu próprio amigo, pai, mãe, filho ou irmão, ou não vivenciaram uma experiência real de “pré-morte”, vão apenas entender com o intelecto este texto, pois só aquele que já vivenciou uma das duas maneiras de estar “cara a cara” com a morte é que irá conseguir ir para além do intelecto “sentindo” de maneira visceral as palavras escritas.

Assim como o câncer que na verdade é uma morte lenta e progressiva, a própria iminência de uma possível morte por outras maneiras e experiências vem para por em xeque tudo que achávamos ser importante em nossas vidas, e para colocar uma pergunta crucial que constantemente tentamos esquivar dela: “Porque e para que viver?” “Faz sentido a vida que temos levado?” “Qual o sentido real de viver?” (As três perguntas na verdade é uma só, apenas feita de maneiras diferentes para você refletir melhor)

Não importa se você seja religioso ou ateu, pois na verdade, no fundo no fundo minha opinião é que não existe na pratica uma separação entre ateu e religioso quando falamos da morte, embora na teoria exista sim uma divisão. É que não acredito na transformação e mudança na natureza humana quando falamos da pessoa acreditar ou desacreditar na religião e/ou em Deus, pois se sendo ateu ou religioso, continuamos sendo humanos, demasiado humanos, e como os existencialistas já falavam, somos seres em angustia, sendo a angustia uma marca registrada da natureza humana.

A única diferença entre o religioso e ateu em relação à morte é no autoengano; pois o primeiro (religioso) se engana na certeza de acreditar que ao morrer vai estar no paraíso, já o ateu com seu pensamento “tranquilizador” de que “morreu acabou”, e que por isso não tem o que se preocupar e ter medo. Mas que falsa certeza esta do religioso e do ateu!

A partir do momento que o homem teve a sua consciência despertada, seja pela própria morte como a maior responsável por isto, ele já se vê mergulhado em angustia, e, por isso mesmo, nós precisamos tanto ocupar nossa mente com tudo que estiver disponível, seja trabalho, festas, e tudo o mais, é como pascal já dizia que o homem que vai caçar, ele caça um animal que ele mesmo não teria a coragem de comprar num mercado, mas ele caça para distrair sua mente, para fugir de estar só consigo mesmo, e com a realidade inevitável de sua própria morte – e este exemplo serve para tudo que fazemos na vida!

Por isto meu caro leitor que chegou até aqui, lendo “pacientemente” esta minha postagem para descobrir como um ateu encara a morte, eu lamento decepciona-lo, mas nós encaramos do mesmo jeito que qualquer outra pessoa encara: com grande angustia, medo, tristeza, dor e duvida em saber que a nossa morte não é uma possibilidade que pode ou não acontecer,  mas uma realidade e certeza absoluta de que nós que aqui estamos, vamos um dia não estar mais....para quem acha que a consciência é um dom, eu diria que tenho lá as minhas duvidas, pois acho mesmo que é uma maldição, e que se os deuses existem mesmo, são cruéis e estão se divertindo com nosso sofrimento.

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